sábado, 16 de janeiro de 2010

Chocada

Há alguns dias fiquei chocada quando, vagueando pela internet, encontrei um blog em que alguém dizia que já nada choca este mundo. A possibilidade de estar este mundo despido da capacidade de se chocar chocou-me. Não vou ter medo de repetir neste texto as palavras choque, chocada e chocante porque entenderei a sua inesgotante repetição como a sua enfatização. Eu fico chocada com o sofrimento das pessoas, eu fico chocada com o choro de crianças abandonadas, eu fico chocada com a leitura diária de jornais onde imperam notícias trágicas, eu sinto vontade de chorar quando penso em crianças sem uma casa para viver e sem carinhos, eu fico chocada com a vida fora desta redoma de vidro encantada na qual julgo viver, eu fico chocada com a violência entre os homens e com a pretenciosa atitude daqueles que torturam outros julgando-se tocados por uma força divina que os coloca acima do céu. Eu fico chocada com os possíveis efeitos da globalização nos filhos que possa vir a ter; eu quero um mundo azul e bonito para os meus filhos.

É um exercício espiritualmente esgotante pensar nas coisas que me chocam neste mundo. Mas se fico chocada é sinal que estou viva. O dia em que perder a capacidade de me chocar e de querer sempre mais e melhor será o dia em que morri.

sábado, 12 de dezembro de 2009

O Poeta diz a verdade

Quero chorar minha dor, e se tal digo
é para gostares de mim e me chorares
por um anoitecer de rouxinóis,
com um punhal, com beijos e contigo.

Quero manter a prova solitária
para serem minhas flores assassinadas
e converter meu pranto e meus suores
em perpétua elevação de duro trigo.

Que não mais se acabe esta meada
do gosto de ti gostas de mim, ardida
sempre com caduco sol e lua velha.

O que me não deres e eu te não peça
será para a morte, que nem sombra
deixa sobre a carne estremecida.


Federico García Lorca

Saramago e No Berlusconi day

Leia-se com atenção o texto recentemente publicado por José Saramago no seu Caderno acerca da manifestação há dias levada a cabo em Itália e em várias cidades do mundo a favor da deposição urgente dessa "coisa" chamada Silvio Berlusconi.

http://caderno.josesaramago.org/2009/12/07/no-b-day/


De minha parte, as palavras que do texto constam são inteiramente subscritas.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Federico García Lorca


Se pudesse eleger, na vasta panóplia de autores que me apaixonam, aquele que com maior acuidade marcou todas as minhas leituras e, consequentemente, os meus pensamentos neste ano de 2009, a escolha não se revelaria árdua. O nome eleito seria apenas um : Federico García Lorca.

sábado, 26 de setembro de 2009

Diligência

Esta semana fui ao bar "típico mais típico" de Coimbra, o Diligência. Senti-me quase chateada comigo própria por estudar em Coimbra há quatro anos e nunca ter entrado naquele local maravilhoso.




No Diligência, o fado é o anfitrião e o personagem principal de todas as noites. Num ambiente muitíssimo acolhedor, com claras influências rústicas e irish no que à decoração diz respeito, somos infiltrados numa atmosfera escura, quente, pouco iluminada, como que a não querer roubar espaço a todas as vozes que voluntariamente por lá passam e dão vida e tradição ao local em causa.







Amália Rodrigues, Carlos do Carmo, Mariza fazem parte do reportório quase obrigatório, mas há também assento livre para as letras geniais de Jorge Palma, Rui Veloso, entre outros.

Uma noite definitivamente muito bem passada e um sítio a revisitar e reinventar.


























Alice


Se é uma opinião absolutamente imparcial que procuram sobre este filme, aconselho previamente a não-leitura deste post já que, é meu dever dizê-lo, considero "Alice" a grande pérola do cinema português; é, sem sombra de dúvida, o melhor filme português que vi até hoje.

Do realizador Marco Martins, este filme de 2005 sobremaneira elogiado pela crítica internacional (em Cannes renderam-se ao seu poder) narra a "simples" e angustiante luta de Mário (Nuno Lopes) em busca da sua filha Alice, desaparecida há vários meses. É uma vida vazia a descrita na sequência de cenas, conversas e silêncios que compõem o filme; um pai errante pelas ruas de uma Lisboa melancólica e azul, em busca da sua filha pequena que desapareceu num dia que se anunciava igual a tantos outros.
Não vou alongar-me muito mais porque acho que as críticas de cinema devem ser curtas, delineando apenas os contornos da história, cujo conteúdo será preenchido pela visualização do filme e pela forma de sentir de cada um de nós.
Para terminar, realce para a maravilhosa banda sonora de Bernardo Sasseti, falando inequivocamente ao coração, enebriando-nos pelas ruas íngremes dessa Lisboa nebulosa, triste e anónima, e para a poderosa, arrebatadora, irrepreensível, magistral interpretação de Nuno Lopes, neste papel que o elevou ao patamar de melhor actor português de cinema da sua geração. (Igualmente uma menção de louvor para Beatriz Batarda, sublime no papel de mãe de Alice)

Apetece-me dizer, em jeito de conclusão, que este filme ensina ou permite uma maior inteligibilidade da dor suportada pela perda de alguém que muito amamos.

A palavra "ausência" ganha um outro significado depois de ver "Alice".

Eis o trailer do filme : http://www.youtube.com/watch?v=HsBsT1AwDbs

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Ebony Bones




Adorei o outfit!








Ebony Bones = loucura auditiva e visual!
We know all about you, yes we do!!